PUTZ AND GRILLA! X-men First Class é de primeira classe!

Thor? Que Thor? Ninguém vai mais falar daquela merda depois de X-men: First Class.

Ninguém esperava, mas X-men Fist Class  é um dos melhores filmes desta temporada e deveria ser amado por todos. Infelizmente sua origem não inspira muita confiança. Primeiro, por se tratar de uma produção da 20th Century Fox, aqueles que destruíram qualquer credibilidade construída por Bryan Singer com seus primeiros filmes da franquia “X”. Segundo, pelo próprio Singer, que não teve muita sorte com sua última adaptação quadrinística (o controverso Superman Returns). Como o filme não possui uma versão nas disputadas e lucrativas salas 3D,  a audiência, já escaldada, pode gerar uma bilheteria morna, o que seria péssimo para a redenção de Singer ( que sub-escreve e produz a película ) e para o brilho desta maravilhosa direção de Matthew Vaughn.

No filme, o mundo esta a beira de uma crise nuclear conduzida por Sebastian Saw  que a humanidade seja dizimada frente a uma guerra nuclear (iniciada durante a crise de mísseis em cuba). Assim, ele poderá emergir como lider da comunidade mutante que herdaria a terra. Nesta realidade, o jovem   Charles Xavier  (James McAvoy) esta terminando sua tese de mestrado sobre mutações enquanto o multi-lingue  Erik Lehnsherr / Magneto (fabulosamente interpretado por Michael Fassbender) viaja pelo mundo caçando Sebastian Shaw (caricaturalmente interpretado por Kevin Bacon) e matando todos os nazistas que encontra no caminho. A necessidade da CIA em arcar com mutantes une todos sobre o mesmo teto, o que gera o recrutamento dos demais mutantes com um objetivo: Caçar Shaw para impedir a crise em cuba.

Apesar do pano de fundo político, boa dose de ação  e aventura com um toque Sci-fi, o ponto máximo do filme é o drama gerado em torno das diferenças e a capacidade do outro de aceita-la : Principalmente entre Charles e Erik, antagônicos até em suas origens (Erik foi forjado pelo ambiente completamente hostil de um campo de concentração alemão enquanto Charles formulou suas idéias no conforto de uma rica mansão no condado americano.). O que nos deixa com expectativa de ver quando, e como, o embate ideológico gerará as conseqüências que todos já conhecemos. Neste processo, Vaughn nos conduz primordialmente. Alternando de maneira equilibrada entre a ação, drama e politicagem, ditando um rítimo envolvente (sem apelar para desarticuladas firulas contemporâneas como câmeras tremidas, cortes frenéticos e deslocamentos narrativos/temporais) aproveitando de maneira simples cada um de seus 132 minutos de exibição.

A história é muito bem escrita e não me apresenta muitas falhas, apenas algumas escorregadas nada inteligentes: Como a sala  de dissecação de Shaw justo onde ele forçaria Erik a despertar seus poderes magnéticos (Alguem me diga o que impediu o jovem magneto de ter feito sushi de Shaw alí mesmo.), ou o fato do membro afro-americano da primeira equipe mutante ser o primeiro a “morrer” (O filme se ambienta na década de 60…talvez isso se justifique!) e até pela falta de criatividade em justificar todo salto tecnológico na inteligência de Hank MacCoy. Em uma época de evoluções significantes na medicina e na comunicação, creditar todo salto magnífico aos mutantes é o mesmo que dizer que a humanidade é tão estúpida que não conseguiríamos inventar o celular se não tivéssemos contato com uma raça alienígena tecnológicamente avançada, como no TRANSFORMERS de Michael Bay.

O recrutamento de mutantes e a seleção destes grupo específicos estabelece um contato adolescente com audiência, como não podia deixar de ser em um conto dos X-men. Todas as aflições adolescentes são refletidas em diversas tonalidades pela pequena equipe. O que funciona muito bem no filme, principalmente em engrandecer Xavier como mentor, lider- estrategista e professor dos mutantes (até mesmo do próprio Erik) e apresentar-nos o drama de Mystique, a mocinha interpretada pela Jennifer Lawrence, e Hank McCoy,  com seu estilão tímido de Clark Kent, interpretado por Nicholas Hoult. Este foi o ponto alto do filme para mim: A escrita para estes dois personagens, desde a primeira atração física (quem não notou a piadinha do tamanho do pé do Fera), o fascínio científico de Hank pela genética de Mistica, a origem da “cura” mutante e seu desfecho, é tão bem escrita, mas tão bem escrita, que melhora e muito a limitada capacidade de interpretação de seus atores (pena que o mesmo não aconteceu com January Jones e sua dispensável versão de Emma Frost). Hà muito tempo não vejo uma sequência de transformação tão boa quanto a do Hank  McCoy. Só não é melhor do que esta daqui: http://www.youtube.com/watch?v=UFLQS12z8K4

Na parte técnica: Poderiam ter solucionado melhor os poderes de Shaw, Havock e Emma Frost. No caso do primeiro, temos cenas que beiram o ridículo de tão cartoonesco que é Sebastian Shaw absolvendo a energia de seu reator nuclear particular (e no momento da granada, nunca vou entender aquelas mãos multiplas). Emma Frost não tem pele de diamante, mas sim uma cobertura de diamante que vem em diversas camadas, chegando a cobrir até mesmo sua pouca roupa. O resultado é um pedregrulho espelhado ambulante que cobre as poucas curvas que restam à Senhorita Janeiro. Nada atraente. Já Havock,este eu não entendi: Seu poder é aumentar sua excitação enquanto rebola para liberar bambolês atômicos? É constrangedor. Além do mais, suas desnecessárias linhas de roteiro deixa claro que Brian Singer tem algum problema com o nome “Summers”.

Fora estas, e uma trilha sonora que não vai além do tema, os efeitos especiais são muito bem utilizados e a fotografia tem aquela típica assinaturado Singer desde sua experiência com Superman: Aquela imagem polida, com tons pastelados, confortável e quase irretocável. Este aspecto também se reflete nos figurinos e penteados, sem medo do ridículo: Reparem em Azazel, Riptide e até mesmo em  Shaw. Até um magneto ,com seu capacete clássico destoando do X-tech-traje , é aceitável quando seu antigo dono também não se preocupava em combinar as demais peças com o visual medieval do artefato (porque os russos desenhariam algo assim?). Enfim…são coisas que incomodam…mas que se perdem frente a história e direção muito bem conduzidas.

X-men first class não vale apenas o ingresso: Vale também o DVD e o BLUE RAY.
Talvez pelo fato se tratar de um Reboot/Prequel completamente independente dos demais filmes, e não ter relação nenhuma com a iniciativa Avangers, tenha dado tão certo. Seus  produtores  não tiveram que se preocupar em criar links com outras produções ou com as diversas direções que deveriam seguir. Principalmente, não tiveram que produzir o filme na frigideira e frita-lo no mesmo óleo que fritaram Ironman 2, Thor e o vindouro Capitão América. O que fez este ótimo diretor abandonar a produção do terceiro X-men (o “the last stand”) foi justamente esta “urgência” da Marvel em fazer filmes só por fazer, sem se preocupar com a qualidade. Isto acaba estafando o espectador e diminuindo  o interesse do público em filmes do gênero. FELIZMENTE X-Men: First Class é a exceção . Como o primeiro filme da franquia “X” revitalizou o gênero super herois,  tornando-o relevante novamente.


Por outro lado, o filme  abateu o Thor na sua sessão de estréia, com $ 54 milhões de dólares no fim de semana, conseguindo o primeiro lugar, mas caiu bastante, e depois de uma semana arrecadou apenas $64 milhões. X-men foi lançado quase internacionalmente e sem salas 3D.  Lembrando que Thor não é sinônimo de qualidade ainda, apesar de ter se dado bem na temporada, o filme esta bem atrás dos históricamente bem cotados. Se fizer o mesmo tanto de dinheiro, sem as salas 3D, já seria justiça com X-men e melhoraria as chances de produções semelhantes. Isto tudo aumenta minhas expectativas para o novo SPIDERMAN, que segue os mesmos sinais de independência de X-men:F.C., e Green Lantern: Com uma produção 3D caprichada e uma boa história, terá chances de superar  seu lançamento segmentado em 3 datas diferentes pelo mundo.  Já o Capitão América, que vem para preencher lacuna na iniciativa Avengers, tenho a impressão que só verei no DVD.


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