Putz´n Grilla! Batrman: The Darknight Rise

As primeiras linhas do diretor Christopher Nolan sobre este terceiro filme foi algo como “…provavelmente não haverá um terceiro filme…” ou “…só faremos o filme se ele for extremamente relevante….se tivermos uma boa história para contar”. Para Nolan, o que importa é a história e, em suas palavras, “Filmes devem se esforçar para defender a visão criativa, acima da instituição do próprio personagem.” O que significa que a visão do autor deve prevalecer sempre.

Ele deixou claro que sua história era sobre Bruce Wayne: No primeiro filme ele exterioriza um monstro por meio da combinação de teatralidade, obsessão e apuro técnico no combate ao crime (o Batman) para levar sua vingança aos criminosos de Gotham. No segundo, sua vida e as pessoas que o cercam são consumidas no caótico vácuo sombrio gerado pela criatura das trevas. No inevitável terceiro capítulo, a história que Nolan procurava era sobre a redenção de Bruce. Mas, se não consegue dizer “não” aos milhões depositado em sua conta bancária, então, como contá-la?

A resposta estava em um livro sugerido pelo seu irmão e parceiro nessa empreitada que, com o suporte de décadas de quadrinhos, faz até muito sentido: O vácuo citado acima consumiria toda sua amada cidade e viria na presença da enorme criatura ameaçadora chamada BANE. Teremos os embates icônicos dos quadrinhos para os fãs! Teremos Gotham tomada por criminosos, novos Bat-acessórios, Bat-veículos e, se tudo isso não for garantia suficiente de sucesso, teremos  a morte da versão cinematográfica de um dos maiores ícones pop do século XX. Todos os elementos no lugar para uma obra prima que, nas mãos competentes, seria impossível de ser ignorada pelos velhos ranzinzas da academia. Com direito a sucesso de bilheteria, pipoca e tudo mais.

A única questão agora era se Nolan seria capaz de superar suas duas maiores e mais recentes obras: A origem e o irresistível Batman The Dark knight. E ele conseguiu! Produziu uma versão do filme de quase quatro horas onde pôde expressar todo seu talento, com direito a dois finais diferentes, que foi exibido para pouquíssimas e seletas pessoas da indústria que saíram chorando da sala de exibição, emocionadas com mais uma obra prima, que dificilmente chegará aos olhos do grande público: Pessoas simples como eu e você. Porque? É INVIÁVEL. Então,acredito, ele teve que fazer uma versão mais industrializada de sua obra prima….e aí meus amigos, enfim chegamos ao resultado nos cinemas.

Claro, confiamos no talento de Nolan, e sua capacidade de edição multifocal que mantem a atenção do expectador pulando entre as diversas linhas narrativas de seu enredo em um envolvente crescendo, como fez nos últimos dois filmes. mas não é o que acontece aqui.

Ainda no primeiro ato, a impactante introdução de Bane, Selina, Blake, Gordon,um pouco de Miranda,  Alfred, cenário de Gotham e nova realidade de Bruce Wayne…para o então retorno do Batman. (1/4 da história, 50 minutos de filme). Daqui o que se destaca é a magnífica interpretação de Anne Hathaway na pele da insanamente adaptável Selina Kyle, e Michael Caine com seu Alfred e suas sensibilizantes e infrutíferas tentativas de fazer Bruce desistir de retornar ao manto.

Quando estamos preparados para o melhor, Batman e Bane , um combate seco, com uma plasticidade áspera, onde o personagem principal é desconstruído a base de socos e palavras proferidas a baforadas (que ganha, por alguns momentos, a voz de Liam Neeson)…enfim Bane quebra o morcego e o manda para o fundo do poço. Então Gotham é tomada de assalto, e, na expectativa de uma riqueza dramática inerente a situação proposta, combinada ao terror psicológico que só Nolan sabe entregar: Tenho alternâncias entre as explicações de Bane e a ilustrações de seus atos em “flashfowards” (técnica utilizada também para censurar em cortes rápidos a “brutalidade” de Bane, Ò.Ó). A economia do tempo feita aqui é para aplicá-lo em Bruce (é uma história dele, lembra?) e sua desesperada (segunda) ascensão,uma narrativa muito rica nesta parte, juntamente com a revelação da origem de Talia Al Ghul (melhor que os comics). Ah, claro, esse tempo “economizado” também serve para as sequências de ação…tem muitas, mas com um Nolan apressado e não tão inspirado, praticamente trabalhando por trabalhar, nenhuma delas atinge seu verdadeiro potencial como a simplicidade de um caminhão sendo capotado por uma moto, ou de um carro pulando telhados e quebrando muros.

Chegando ao clima, o “Dispositivo de liberação de Gotham” serve como saída fácil para diversas questões. Sem grandes e imprevisíveis viradas, como os dois últimos filmes. Sem aqueles delírios que quebram a realidade fria proposta por Nolan (como Bat-demônios, cavalos cuspindo fogo ou personagens com metade da cara queimada) e sem finais abertos a interpretações, uma marca do diretor, este último filme não se sustenta sozinho pela pressa, pela falta de criatividade e pelas necessidades mercadológicas impostas ao diretor.

O talento de Anne Hathaway fica para as primeiras cenas, sem tempo de desenvolver uma química com Wayne que justifique aquele final. O desperdício de Michael Caine ,com o sumiço de Alfred ainda na primeira parte, é lamentável. A herança do policial Blake é um tanto forçada, uma vez que não houve tempo para se construir uma confiança entre ele e Bruce, muito menos um treinamento ( Ah…qualquer um pode ser o Batman, mesmo sem alguns bilhões de dólares e décadas de treinamento). Bane esta enorme e intimidador, mas sua brutalidade passa desapercebida ( exceto no combate contra o Batman) devido ao vício dos cortes secos anticlimáticos e pela limitação de sangue imposta na classificação do filme.

Fica nítido em todo processo e em seu resultado que diversos momentos  inspirados pelo talento de Nolan ficou no chão da sala de edição: E que nenhum dinheiro do mundo paga a VONTADE de fazer aquilo que você faria de graça, por puro prazer. No entanto, tratem estas observações como a de uma mente exigente: Esse filme só não é o pior dos três porque  cumpre o sua função de concluir a melhor trilogia de um filme de quadrinhos, e uma das melhores trilogias da história do cinema (segundo os entendidos), e por isso o Batman de Nolan merece todos os elogios que esta recebendo pelo conjunto da obra.

Nolan nos entrega um final incomum para um drama que todos acompanhávamos: Um final feliz para Bruce (ninguém esperava que seu  drama iria acabar bem), que exorciza seu demônio interior através do inferno que passou pelos três filmes, canalizando a vontade de viver e passando a tocha para o Fanboy, único romântico o suficiente para comprar a idéia de que qualquer um pode ser o Batman. Isso satisfaz o público, que acaba aplaudindo de pé, fecha o círculo dos três filmes e ainda mantém o Batman como….bem “O Batman” ( Bom demais para morrer…).

Selina encontra uma nova vida e uma nova vítima (quem diria). O governo americano deve restabelecer a ordem de Gotham e cuidar de milhares de presos soltos por Bane. Os mais notáveis devem controlar o crime organizado na cidade: uma onda de Meta-criminosos,talvez. Aberrações criadas pela radiação da bomba que explodiu na mar (Killer Crock, Clayface, Mr. Freeze e outros).

Tudo isso aberto à um novo diretor, que, segundo Nolan, deveria colocar sua visão “acima da instituição do próprio personagem.” e deixar qualquer infelicidade que possa surgir disso na conta do Robin.

Tudo que a Warner Brothers queria ($$$).

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2 respostas para “Putz´n Grilla! Batrman: The Darknight Rise

  • João Paulo Borges

    Acir, meu amigo, gostei do texto, apesar de ter ficado na dúvida de SUA opinião, afinal, gostou do filme?
    Particularmente eu acho o terceiro filme muito fraco, principalmente em detrimento dos Batman de Tim Burton, os quais relembro com certo apreço e nostalgia, pois não se bastavam a uma exibição do que é possível ser feito com alguns nerds, vários Macs e After Effects, mas com talento, atuação e um roteiro que explora os personagens.
    Não estou dizendo que o Batman de Nolan seja ruim, não, eu bem gostei da humanização de Bruce, com aquele exame das articulações, como ele estava decrépito, coxo… MAS isso ficou tão em segundo plano para uma lição de moral ao estilo “você pode ignorar sua saúde e salvar o mundo se quiser, se você se sacrificar, será um fodão”.
    Para mim, este virou o foco do filme: uma lição de autoajuda (ou só ajuda, pq autoajuda seria para o próprio Nolan, mas você entendeu! hehe). No entanto, isso passaria despercebido, não fosse um erro CRASSO. Sim, eu não estou falando da entrega totalmente espontânea da herança para o Sr. Robin, pois todos sabíamos quem era ele desde o início do filme e depois do que aconteceu, este deslise é perdoável, mas de entregar em bandeja de prata o nome da vilã!
    Veja bem, durante todo o filme a moça corre atrás do Bruce como um cãozinho, querendo ajudar com suas FINANÇAS e ele se recusa, então ele está quebrado e, de repente, ela lhe dá um beijo completamente gratuito e fora de circunstância e tem a cena de sexo mais forçada do mundo.
    Ok, isso vende, mas poderiam ter desenvolvido melhor essa relação, pois aquilo ali fugiu à relação completamente profissional que eles tinham até então, sem flertes, sem indiretas, até que um olhou para a cara do outro e leu no teleprompter “cena de sexo – se beijem” e entraram em modo fornicação.
    Essa cena, para mim, comprometeu o filme e me deixou seriamente irritado dentro do cinema, pois eu não conhecia a personagem (como sabe, leio pouco os quadrinhos) e, para pessoas em minha situação, isso matou a reviravolta no fim.
    Enfim, eu não digo que não gostei do filme, mas ele perde em comparação a seus antecessores (que incluem os outros dois da trilogia e excluem os que devem ser excluídos, obviamente). A personagem Selina foi realmente bem trabalhada e a primeira parte do filme foi muito bem feita, o cerco de Gotham e tudo, muito legal… e me arrancaram risos com a legenda troll, chamando o programa de “ficha limpa” hahahaha
    Enfim, haters gonna hate, minha opinião está dada, podem discordar, mas isso é o ponto de vista de um fã de filmes de quadrinhos e não dos quadrinhos em si, portanto eu acho válido acrescentar aqui (e que você sinta livre para deletar, caso fira a integridade de seu blog).
    Até a próxima!

  • acirgalvaopiragibe

    Valeu João. Mas aqui..no começo do filme fica nítido que ele e a Miranda já tinham um caso! Só rola mais a confirmação depois…ela ta ali, toda molhadinha: Você daria mole? Então! Para mim foi mais isso.

    Agora a Selina foi forçado. Puta de Luxo que, não entendi como, acabou com o pobretão wayne viajando pelo mundo…argh! Mas é como vc disse…Batman é muito multimída. O povo todo gosta do personagem por ser humano fazendo coisas desumanas…ninguém nunca liga para o cara atrás da máscara…então deixa o Batman ser qualquer um e eu vou viver minha vida com meus milhões de Dólares espalhados pelo mundo…(que ainda me resta)..

    SRRS! Adorei seu comentário.

    abs.

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